sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Abandonar as roupas usadas


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os velhos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Pessoa 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O caminho?!

Não é o do sonho. É do sonho tornado realidade!

So I wish!

Ei-los que partem (versão pessoal e pormenorizada)

Quando em menos de uma semana vês mudar de país 3 pessoas que te são próximas.
O coração fica pequenino, pequenino.
Antes foi a festa, o forrobodó. Uma dúzia de festas, jantares, tardes, fotos vídeos. E depois é estranho.
É um vazio...
Não de tristeza, porque sei que são e serão felizes pelo que fazem e estão cientes do que querem fazer, das dificuldades que enfrentarão.  É o vazio da distância, dos telefonemas a conta-gotas, da espera por uma ligação de Skype, os fusos horários que abrem uma brecha ao encontro.


3 pessoas. 3 continentes. 3 amigos "expatriados". 3 corações altamente competentes e motivados para ser o que lhes compete. 1 amiga radiante pela alegria de os conhecer e pronta para resistir às distâncias.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

É Impossível que o Tempo Atual não Seja o Amanhecer doutra Era

É impossível que o tempo atual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no início dela. Além disso heroica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora é esta ferocidade que se vê,
esta coragem que não dá para deixar abrir um panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais nenhum entrave. 

Miguel Torga, in "Diário (1942)"