quinta-feira, 31 de outubro de 2013

I´m falling in love


A liberdade laboral dá nisto: Plano estratégico em espera, actualização do Secret Story em curso

Depois da reunião de segunda-feira, já muito tempo passou. A isenção de horários e a disponibilidade para trabalhar a partir de casa, e bastar abrir o computador para que o escritório esteja já ali à mão, fazem com que o mundo informático perca toda a piada.
Evito a todo o custo abrir um ambiente de trabalho, fazer um login, ou abrir o email profissional... Mas hoje e com o deadline a aproximar-se resolvi sair de casa para trabalhar. O cafézinho cá do bairro ( expressão alfacinha, mas de que gosto tanto, tanto. O que eu gosto de expressões.) pareceu-me o sítio ideal para isso, perto e longe o suficiente para estar concentrada nas minhas tarefas. Estou cá há pouco mais de meia hora, e ainda nada de útil fiz, para lá de actualizar o blogue, isto porque as senhoras da mesa ao lado, estão a falar sobre todos os triângulos amorosos que o Secret Story fornece. Elas comentam, vivem, sabem quem são os pais, os avós, os primos, fazem um cruzamento de informações invejável, com fontes na imprensa especializada, nos directos e no canal exclusivo. Falam da Sofia, do Bruno e do Thierri, da Érica e da Débora, como se fossem os miúdos que brincavam ali na praceta em frente desde meninos. Falam como se eles fossem dos seus... e podiam ser, é facto. O que me intriga é não ter reparado no momento em que as telenovelas da Globo deixaram de satisfazer as necessidades de um conjunto de senhoras de sessenta e alguns anos.
E nesta confusão o plano estratégico para a reunião da próxima semana continua em espera e estou com uma súbita vontade de ver o que tenho andado a perder por não acompanhar o Secret Story.

music box



Porque hoje disseram-me que estava a tornar-me uma optimista... e lembrei-me desta música.
Sim, começo a tornar-me uma pequena optimista. E gosto.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sou [ tivesse eu este dom, e estas palavras poderiam ser minhas]

Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Estou furiosa

Sim, é fúria.
Fiz de conta. Adormeci a fazer de conta. Tentei fazer o mais de conta possível.
Mas isto é de mais para mim. É de mais.
É o não reconhecer, quem sempre se conheceu. É o procurar e não ver quem se viu.  

sábado, 12 de outubro de 2013

Dos dias

Em que ler poesia pela manhã é um presente. Em que o café, depois do almoço, é acompanhado pela conversa. Os dias em que mesmo assim, com tanta coisa boa, as coisas insistem em não ser como planeado...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Friends like this

Almoço com a minha CC do coração, vale tudo. Nem a chuva nos pára. Nem o frio. Nem o risco de hipotermia nos acalma :-)
Estamos para já bem, depois mesmo que venha a gripe, temos o coração quentinho de palavras...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Perguntas e

eu respondo-te.

Sou uma pessoa de fanicos e coisas do género mais do que gosto de admitir

Não sou uma pessoa demasiado protectora, ou se sou sei disfarçar. Mas quando uma das minhas pessoas se fere, se magoa... Eu sinto a dor, e entro em fanicos. Sim, fanicos. Posso fazer alguma coisa, normalmente muito pouco. Ou já tudo se passou, ou ainda posso chegar a tempo de pôr um penso rápido e resolver a situação. Mas que fico com os nervos em frangalhos,  lá isso fico. 
Não me tira capacidade de resposta, mas tira-me a tranquilidade. Fico com todo um mundo de borboletas a voar ao mesmo tempo dentro da minha barriga. 

Fico preocupada. Fico eu. Cada vez mais acho que cada pessoa nasce com um dom.. E o meu é este cuidar e preocupar-me dos meus, que acabam por ser quase todos. Sou uma pessoa em fanicos. Que sorte mais malfadada esta. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

As palavras dos outros são melhores que as minhas

Direito à tristeza

Por diversas razões, há momentos da nossa vida em que, apesar de tudo o que foi dito, apesar de sabermos viver um dia de cada vez, apesar de sabermos não sofrer por antecipação, apesar de sabermos sentir gratidão e valorizar o que temos, apesar de confiarmos que o melhor acontece no melhor momento, apesar de nos sentirmos «donos» de uma fé serena e sólida, apesar de... , não conseguimos evitar a tristeza. E é por isso que temos de saber que, quando, por defesa, nos recusamos a identificá-la e a aceitá-la, estamos a cometer um atentado contra nós próprios. 

Não temos, naturalmente, de rentabilizar o sofrimento como forma de apelo à proteção. O que importa é que o olhemos como algo de que queremos libertar-nos, mas que só o conseguiremos (às vezes temos de pedir ajuda) enfrentando-o, não fugindo dele, não o negando, não apressando o seu desaparecimento, só porque os outros acham que já deveríamos ter superado isto ou aquilo. Temos de, quando é caso disso, nos dar o direito de chorar, de falar do que nos faz sofrer, de recordar o que ainda nos dói, de nos abandonarmos num «espaço emocional» em que podemos ser o que, naquele momento, somos, sentir o que, naquele momento, sentimos, e dizer tudo isso com a intensidade que achamos justa e libertadora.
 
Para deixarmos de estar tristes, precisamos de nos libertar da tristeza sem a negarmos e sem fazermos dela aquilo que temos de esconder só porque os outros entendem que já deveríamos estar melhor. Estar triste não é bom, mas é um direito pelo qual temos de lutar quando for caso disso. Se o não fizermos, este estar transitório transformar-se-á num ficar, esse, sim, com um caráter muito mais permanente.

Margarida Cordo in Momentos de Reflexão ed. Paulinas