Eu não tenho muitos amigos. São poucos mas bons. Porém de entre eles não consigo escolher um(a) para ser o meu (minha) best friend.
Quando era miúda tinha duas melhores amigas, dizia eu a toda a gente. Éramos inseparáveis. Parecíamos gémeas siamesas. Éramos um trio para tudo. Trabalhos de escola. Tardes no baloiço. Saltar à corda. A A. e a T. eram as minha preferidas para tudo. O significado da nossa amizade encerra-se na palavra infância. Nos desenhos animados. Nos cabelos desgrenhados. NO sorriso desdentado. Na bandelete no cabelo. Na franja que queríamos cortar todos os dias, para ficar sempre perfeita.
Mas este trio, nunca foi só um trio. Era um trio a que se somavam mais quatro. Pelos quatro (agora, gajos como dizemos a brincar) meninos que nos roubavam canetas e borrachas num piscar de olhos. Que nos assustavam de morte, quando se escondiam a trás das portas. Que gozavam com os nossos desenhos.
Mas que como se de um truque de magia se tratasse tornavam-se nos nossos cavaleiros andantes. Eram a quem corríamos quando algo corria mal. Quando chorávamos. Quando nos magoávamos. Quando nos ofendiam, com palavras tão fortes e duras como "betinhas". E nesse preciso momento seguiam eles, os nossos "betinhos", nos seus cavalos brancos prontos a salvar a nossa honra de tais injurias tão infamemente proferidas. Porque ser bom aluno, não implica não pisar o risco. Não implica estar fora de um mundo cheio de irreverência, pronto a receber-nos de braços abertos.
Depois crescemos... Pé ante pé. Fomos crescendo em altura e ficando cada vez mais parvos, como qualquer outro adolescente. Uns centímetros a mais não se traduzem em clarividência, nem sapiência. No nosso caso, foi só a afirmação de um acto de amor (porque amizade, para mim é amor no seu grau mais sublime, e puro, em todo o seu esplendor)
Das manhãs dos primeiros anos de escola, passamos às tardes dos anos que se seguiram. Das tardes passamos às noites.
Das nossas casas passamos aos jardins, às piscinas, às sessões de cinema, às tardes de praia a aproveitar o sol.
Pouco a pouco passamos a jantares e jantaradas fora de horas, a piqueniques de Verão. A chás de meia-noite a pequenos almoços antes de deitar.
De repente deixámos de ser sete. Passamos a doze. Sem mais nem menos, porque nada se alterou, tudo se transformou!!
Acompanhamos medos e inseguranças. Os primeiros beijos e namoros. As primeiras bebedeiras (Ai que noites complicadas essas...) Estivemos lá, nos choros e nas birras. Nunca deixamos escapar um bom momento sem celebração.
E rimos. Rimos muito. Tanto e com tanta vontade, até às lágrimas, até nos agarrarmos à barriga de tanta gargalhada.
Tínhamos medo de falhar. De falharmos enquanto amigos, quando a faculdade chegasse e as nossas opções nos atirassem para longe da vista e longe do coração. Mas não. Desde o dia 1. Desde aquela noite de Setembro de 2006, em que os nossos sonhos se concretizaram. Nem aí, nem daí por diante nos separamos.
Temos o nosso dia. O dia em que haja o que houver, faça chuva ou sol, nós estamos juntos. Voltamos a ter 6 anos. Voltamos a conhecer-nos, voltamos a gozar com as nossas coisas ridículas. Voltamos a chamar as alcunhas que são só nossas, usámos expressões que mais ninguém sabe nem entende.
Somos pura e simplesmente nós.
Temos tempo para tudo o que o "nós" encerra. Sei que há uns que nos invejam, outros que nos adoram. Sei que outros não nos entendem se quer. Sei que dificulta as nossas relações paralelas (amorosas, principalmente) Sei que isso levou-nos a encurtar o grupo.... (e tenho pena, muita pena)
Mas não sei se abdicaria de tudo isto por qualquer outra coisa no mundo, porque apesar de nem tudo serem rosas, os espinhos fazem-nos crescer e ficar mais próximos.
Existem, no entanto outras pessoas que foram entrando na minha vida, em diferentes momentos, em diferentes situações e que vão ficando e ficando e se tornam no que são.
Não temos nada, ou quase nada em comum.Não somos vizinhas, nem de cidades próximas. Não nos encontramos na infância. Não somos nada parecidas.
Partilhamos ideias. Partilhamos a faculdade. Partilhamos "quase" a mesma ideologia. Partilhamos as pessoas e o respeito que temos por elas. Partilhamos avós. Partilhamos livros e series de televisão. Partilhamos medos e ralhetes. E gargalhadas, e muita conversa parva!
Partilhamos a vida... basicamente é isso!!
Ahhh e partilhamos horas a fio ao telemóvel também.
Com estas pessoas únicas e singulares, que me transformam constantemente num projecto inacabado sou feliz! Com elas que juntos, bem juntinhos dão dois de jeito ;-)
[Agora, sim é oficial, este blogue anda super lamechas. Perdoem-me mas prometo que voltará brevemente à parvoíce habitual!!]
SAbes uma coisa???? Sabes, sabes, sabes... É muito bom partilhar a vida contigo, dividir todo e qualquer momento, é bom rir, chorar, é tudo muito bom...
ResponderEliminarQuando estamos separadas passamos horas e horas ao telefone ao telemóvel... Tudo servia para trocar ideias, para não estudar, para passar tempo, para cuscar...
Novamente estamos juntas, gostaria de dizer para sempre para mais dois anos de desgostos, de alegrias, de não quero, não me apetece, de conversas no wc, de noites mal dormidas, mas ainda não posso, mas a nossa amizade essa será para sempre e mais um dia...
Poucas coisas me emocionam mas uma delas é saber que tenho um lugar reservado no teu mundo.. E isso para mim é muito importante.
Como te disse muitas vezes adoro-te.