Eu tento convencer-me que já não sou inocente. Que já não deixo que me magoem. Que faço uma pré-selecção muito rígida aos que deixo aproximar de mim. E tento porquê?
Porque não o consigo de facto. Eu sou uma permanente tentativa. Ora de virar coração de pedra para não me magoar, ora de de pessoa desprendida.
E não sou.
Sou uma conservadora moderna, como diz a R. Sou um coração mole como diz a C. Sou a lágrima no canto do olho, como diz o P. Sou o sorriso fácil, como diz a O.
Mas não sou tão forte e segura como desejava. Não tenho coragem a suficiente para dizer assim, olhos nos olhos " Magoaste-me! Sinto-me traída! Vai-te à fava!" Não. Fico ali, ou aqui à espera da redenção, à espera da mudança, à espera que algo mude. Porque todos mudamos.
Mas depois vai que não vai, tudo parece que muda. Mas fica exactamente igual... E eu tento convencer-me que desta vez foi de vez. Que agora sim estou diferente... E fico senta à espera que uma nova ventania que dispersa a poeira e consiga ver de verdade o que se está a passar.
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