quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Às vezes pouco mais há, para além de um " Os adultos são mais complicados que as crianças"

Como se explica  a uma criança com 11 anos que já passou por uma situação de divórcio, de reconstituição de família, que aceita as "várias" namoradas do pai e os desacertos de uma mãe levada por uma sede de perfeccionismo; uma irmã nova e 6 pares de avós, muito opinativos; o porquê do padrasto ter (supostamente, acrescento eu) traído a mãe?

Eu não sei. Eu não sei nada de nada. Ela ligou-me ontem na calada da noite, porque este é um assunto que só um adulto podia saber e ajudar. Eu fiquei de coração nas mãos, tenho de admitir. Faltaram-me as palavras. Apetecia-me, sinceramente, somente abraçá-la e dizer que tudo vai ficar bem. Seja "bem" o que for... ou uma separação, ou uma reconciliação. Pouco mais lhe disse para lá do tem calma, e seca as lágrimas.

Hoje com mais calma, lá veio ela de surdina bater-me à porta da sala no centro. Eu deixei-a sossegada, até querer falar, até ser ela a abordar o assunto. E lá começou ela, com uma pedido de ajuda nos trabalhos de casa de matemática, uma perda súbita dos óculos da natação e lá ficamos as duas sozinhas.

Ela lá me confidenciou que ouviu a conversa da mãe com o marido. Estavam aos gritos, a mãe a chorar. Ele a dizer que não repetiria. E que tinha percebido que era uma trição, porque a mãe o disse. Melhor, tinha-lho dito, quando regressavam a casa à tarde.

A miúda está abalada.

Quem não estaria? pergunto eu.

Eu, a medo, porque nestas coisas das relações humanas nunca se sabe. Lá lhe expliquei que os adultos são muito mais complicados que as crianças. Que os adultos baralham as coisas e os sentimentos. Baralham o que dizem e o que fazem e perdem a noção de quem têm à sua volta. Disse-lhe que a culpa não era dela, nem da irmã. Que os adultos, os pais, os responsáveis por elas acabariam por tomar a melhor decisão, fosse ela qual fosse e que tudo se resolveria.

Selamos a conversa com dois abraços e um beijinho.
E um pedido/confidência " Ainda bem, que tu não és desses adultos complicados!"

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