Não sei se gostava mais quando dizia que não sabia cozinhar, para não deslindar a minha falta de vontade de participar nessa tarefa cá me casa; ou se agora, em que ando misturada entre ovos e farinha, arroz e açúcar, carnes e mariscos.
Eu gosto mesmo de servir os outros, de os agradar, de os fazer sentir especiais, porque são, de facto especiais para mim. Então isso faz-me envolver e remexer entre tachos e panelas, dedicar a escolher os ingredientes, analisar as receitas para descobrir se há alguma coisa que alguém não goste.
[Sim, cá em casa somos um bocadinho esquisitinhos, é verdade! O pai não come massa, a mãe não gosta de queijo nem de oregãos, a little sis' de coisas variadas que não nem vale a pena elencar e a visita da casa , a I. gosta de tudo, apesar de inventar sempre alguma coisa de que não goste.]
Descobri este gosto,ou melhor decidi alimentar o gosto. Decidi aplicar-me. E por acaso até me tenho saído bem... Gosto de cozinhar, gosto dos preparativos, da confecção calma, do tempo que se passa entre tachos e panelas, das conversas... só não gosto de provadores [esfomeados] que volta e meia aparecem a cirandar em torno do fogão.
Gosto de todo o cerimonial que pode envolver uma refeição em família. Faz-me lembrar aquela passagem d"O Principezinho" em que ele diz que se me cativaste e avisas que chegas às 16h e eu desde as 15h fico à tua espera!
Há todo um ritual de amor, atenção e cuidado. Basicamente é amor, na sua forma mais genuína.
Porque me lembrei disto?! Porque ando aqui às voltas com umas receitas para ver qual será a escolhida para hoje...
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