Ele e ela não são desconhecidos. Partilharam parte das suas vidas. Para ele, ela é a menina que viu crescer, mas que ainda não viu tornar mulher. Para ela ele é o amigo que é como irmão, que a levava para todo o lado, que era o abrigo seguro e que ainda o sente como tal.
Ela cresceu e ele não viu. Ele deixou de ser como um irmão e ela nem reparou.
Ele foi para a faculdade, ela aprendeu a ler e a escrever. Ele viajou o mundo e ela deixou as bonecas e descobriu o mundo nos livros e nas pessoas que a rodeavam. Ele veste-se de liberdade e independência, e ela sonha em abrir as suas asas e voar.
Como podem duas pessoas tão diferentes ser tão iguais. Como podem pessoas que partilharam fases da vida tão diferentes sentirem uma ligação quase misteriosa, profunda e íntima.
Ele reencontrou-a mulher, dona do seu nariz, com seguranças sustentadas no ar e com fragilidades sedimentadas. Ela viu-o cheio de realidade, com as cores das pessoas com vida e cheio de sonhos, pintados com a realidade que ela sonha para ela.
São iguais diferentes. Ele tem a realidade que ela quer. Ela a vivacidade que lhe deu ímpeto e que o leva a prosseguir com os sonhos sedimentados nas nuvens. Ambos são livres como as nuvens, gostam de pairar indiferentes ao país que sobrevoam, gostam de amanhecer na China e adormecer em áfrica.
São livres. São almas sem amarras nem rédeas. São espíritos que não se conseguem prender.
Mas se nenhum cria amarras, como se podem amarrar um ao outro ou ter a esperança de se amarrarem num futuro próximo.
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