Por vários motivos, eu passo grande parte do meu tempo com pessoas de
palmo e meio, que eventualmente, acabam por crescer e entrar "naquela
fase", como diz uma pessoa que eu conheço.
Este"naquela fase" simboliza o que não deve ser dito. O
período que não deve ser mencionado, o momento em que os pequenos anjos viram
demónios... O momento em que saem da redoma dos bibes e das bonecas e passam a
olhar-se ao espelho, a achar que o mundo está contra eles e no qual descobriram
que a sua voz tem expressão, e abrem as goelas até mais não.
Eu até gosto deles nesta fase... ou melhor, nem desgosto de trabalhar
com eles, assim. Neste momento, em que são são mais do que nunca barro. Barro a
precisar e a pedir para que o ajudem a moldar, que os ajudem a criar. A crescer
e a ser o que quiserem. Eu gosto! Isso não é fácil a maior parte das vezes,
porque não o é. É altamente frustrante, sim senhor. Mas eu gosto!
Gosto dos momentos em que as brincadeiras dão lugar a conversas mais
sérias, em que nos mostramos quem somos e
o que valemos. Gosto quando discutimos e nos chateamos. Gosto da rapidez
quando tudo passa. Gosto da fragilidade e da verdade de um desculpa, de um
"sei que agi mal". Gosto da disponibilidade e à vontade de um sms
trocado, da rapidez com que se pega no telefone para falar: "porque eu
sabia que tu me podias ajudar". Gosto dos momentos em que são pequenos
outra vez e precisam de mimos. Gosto dos momentos em que tentam estravazar
todos os limites e pensam que não os percebemos. Gosto do momento em que
amuados cumprem um castigo. Gosto quando não lhes dou saída. Gosto dos abraços
apertados, quando já são maiores do que eu. Gosto da fragilidade dos seus
corpos que se derretem com um "pequeno" ataque de cócegas. Gosto
quando me chamam, porque têm um problema, ou para contar o que mais ninguém
sabe.
Eu gosto! Gosto tanto!! :)
Sem comentários:
Enviar um comentário