Querido 2015,
Tu tens sido do cara***, não num bom sentido. Tens sido, um grande filho da mãe. Em 4 meses, pouco mais de 120 dias, e tu já me fizeste rir, chorar, sofrer e amar, bem mais do que muito outros.
Pela primeira vez em anos não fiz nenhum desejo, pedido, para ti este ano, quer dizer para nós. E menos de 24h depois estava a dar entrada, pela porta da Urgência, com uma parte de mim. E lá fiquei eu... ligada às máquinas também. A passar horas em salas de espera, a falar mais ao telemóvel do que nunca, a pedir para fotografarem instrumentos médicos, para garantir... como se eu garantisse alguma coisa, que estava tudo bem. Vivemos, sobrevivemos 22 dias, na agonia... de uma dor aguda e anunciada, apesar de calada. Despedi-me dela. Cheguei e estive 30 minutos, só com ela; só eu e ela; no silêncio possível só eu ela, o seu coração de passarinho e o oxigénio que a mantinha aqui. Dei-lhe beijinhos, segurei a mão e pedi-lhe que fosse quando quisesse... porque nós ficaríamos bem. Não ficamos. Ninguém, nunca fica.
Ela foi e nós ficamos... em farrapos, mas ficamos.
E ficamos, eu armei-me mãe das minhas e seguimos. Chorei cada uma das lágrimas que me caíram no rosto. Guardei, outras tantas, porque não há sal que salgue tamanha dor.
Voltei-me e vi-me segura por uma fio ténue a que se chama amizade, ou seguro de vida. Porque eles amparam, cuidam, amam, protegem, acompanham, porque dão vida, quando a vida acaba.
Voltei a correr, não olhei para agenda, nem uma vez... Percorri metade do país. Passei noites acordada, criei cumplicidades, conheci-te... Sim 2015, tu pareces um homem, complicadinho que não sabe o que quer.
Sim, tu levaste-me a minha guerreira... e armaste-me guerreira júnior, armaste-me protetora dos meus. Tu tiraste-ma e deste-mos. Deste-me desafios, mesmo quando não os quero... Deste-me pessoas, quando eu menos esperava. Tornaste-as especiais e depois... voltas a levar-mas.
Ò 2015, faz o que quiseres mas não me enlouqueças... é que ainda faltam 2/3 para terminares, e tenho a sensação de que estas a acabar comigo...
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