terça-feira, 15 de setembro de 2009

O 1º dia de aulas...

Hoje, tal como em todos os primeiros dias de aulas, penso nas pessoas que, na escola, me mostraram mais do que conteúdos programáticos, que me mostraram mais do que a ciência de aprender. Penso nas pessoas que se tornaram minhas amigas e que me ensinaram coisas importantíssimas para a vida. Inteirinha!
Lembro-me da minha professora primária, que no primeiro dia, olhou-me nos meus olhos apavorados e disse com toda a convicção "Estás aqui para ser feliz!". E ao fim de 16 anos de escola, confirmo-o. Sou feliz a aprender. Sou feliz entre aquelas quatro paredes. Sempre fui feliz.
Lembro-me dos sustos e dos choros que as mudanças sempre me suscitaram... do choque de ver um homem com cara carrancuda e de sobrolho franzido, dar-me as boas-vindas à escola nova. Tremi, quando o vi. Vá, ainda hoje tremo quando sinto que o posso estar a desiludir, que é basicamente quando sorrio e me encolho na cadeira, para à espera que ninguém me pergunte a resposta àquela pergunta, para a qual até sei a resposta. Mas de que não tenho a certeza. " Sara, não lhe volto a dizer que não se sussurra! Responda, às questões com a certeza toda, mesmo quando não a tem!" "Não tenha vergonha de ser inteligente!"
Consigo ouvir na minha cabeça a professora Susana, que tantas vezes, tantas, fez mais de psicóloga, do que outra coisa qualquer, na minha adolescência. Lembro-me dos sorrisos trocados, dos segredos confidenciados, dos choros incontrolados. Ainda hoje, sentimos aquele click, quando estamos juntas! Trocámos mensagens umas tantas vezes, vamos ao cinema, ou almoçamos juntas. Apesar de não conseguir deixar de usar o "professora" antes do seu nome, somos amigas...
Mas não, neste vá, quase momento de homenagem, esquecer-me da professora Palmira. Que tantas vezes me deu ralhetes e grandes. Aí, o que eu não gostava dela! Foi um erro! Já lhe pedi desculpas, das vezes que disse que não gostava dela! Bom não gostava dela, porque eu sabia que sabia e achava que o que fazia era suficientemente bom. Mas ela não, o bom nunca é suficientemente bom. O trabalho e o afinco nunca são demais. O respeito por todos o que trabalham connosco. "Nunca somos nada sem os outros" repetia vezes sem conta "São eles que podem facilitar a nossa vida, ou pelo contrário complicá-la" Lembro-me das lágrimas que a Sra Autoridade, nome que lhe foi dado muito antes de eu a conhecer, deixou correr pelo rosto, no dia em que lhe disse "Fui a melhor! Fui a primeira a entrar no meu curso!" E de imediato senti os seus braços a abraçarem-me sussurrarem-me "Nunca duvidei que conseguirias! Nem uma única vez! Agora mostra-lhes de que são feitos os meus alunos!"
É deles que me lembro, sempre que regresso às aulas! É a eles que recorro quando preciso, porque é a eles que posso agradecer parte da pessoa que sou! Sei que nunca poderão ler este texto "pequeno", que sobre eles escrevi. Sei que a professora Palmira, até era capaz de me dizer que devia ser melhorado aqui e ali e certamente, "um toma atenção às vírgulas... olha os parágrafos e as frases intermináveis" Mas sei também, que os marquei de alguma maneira, nem que seja muito pequenina, porque sinto sempre que os vejo ternura no olhar, e uns braços prontos para abraçar-me com muita força.



*Agora, ao reler este post, percebi há, em cada ciclo de ensino um professor que marca. Quem será o professor a deixar marca na faculdade!? A ver vamos! :)


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