Abri agora um baú que deveria estar fechado e selado. Abri o meu baú de recordações. E vi-me com 18 anos, acabadinhos de fazer. Vi-me cheia de sonhos e inseguranças. Vi-me cheia de receios e de certezas.
Basicamente encontrei, nas minhas gavetas o meu diário que guarda o que senti e pensei nos primeiros dias na faculdade.
Não me lembrava do medo que tinha da praxe. E do quanto ao fim de 3 dias, o medo já era parte do passado. E de como tudo eram gargalhadas e momentos engraçados a contar.
Já não me lembrava que tinha pensado que era uma sorte levar mais 3 amigas comigo para o curso. E das 4, ao fim de uns dias éramos 3. E ficamos duas. Agora resto eu.
Não me lembrava da loucura que foi escrever SOCIOLOGIA na minha t-shirt de caloira, mas a capa do caderno está marcada por elas.
Não pensava que estes anos. CINCO anos! Passassem a correr. Não esperava rir tanto, com as pessoas que conheci. Não esperava chorar com eles. Não esperava sentir saudades de estar com eles.
Mas sinto.
Sinto que aquelas pessoas, por muito que não as veja, nem esteja com elas todos os dias partilham algo comigo. Partilhamos a unidade. Partilhamos histórias que todos lembramos.
Vá... Gosto deles. Gosto das pessoas que com eles conheci. Gosto das pessoas que me ensinaram a gostar de mim, pelo que sou. Pelas pessoas, que de tanto me obrigarem a dizer "Ri-me, Fodi-me!" me levaram a perder (algum) pudor de pronunciar qualquer tipo de alarvidade pela boca fora.
E com eles até aprendi a gostar de ser, aquele peixinho eléctrico do fundo do mar! Mas só, porque me disseram que me tratava da rainha dentre eles.
Arrrggg ... Como é que aos quase 23 anos alguém pode estar assim por umas fotografias... por umas frases tontas escritas num cadernito?! O que a busca de uns velhos bilhetes da queima fazem a uma pessoa...
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