Claro que me lembro!
Lembro-me dos olhos. Lembro-me da tua altura, dos ombros largos.
Lembro do sorriso. E lembro da segurança de adormecer encostada a ti.
Lembro-me de gostar de ti.
Hoje acordei com o coração apertado.
Com a sensação de que alguma coisa não estava bem.
Mas não cedi, às minhas preocupações tantas e tantas vezes sem razão. E não disse nada a ninguém! Não liguei a ninguém, não preocupei ninguém!
Entro em casa. E não está cá ninguém.
Ela foi para o hospital. Outra embolia cerebral,muito provavelmente.
E eu só consigo pensar" não a leves! não a leves, já! não deixes que a levem!"
Eu sei que dela, enquanto " a nossa", pouco resta.
Mas não consigo pensar que ela amanhã, ou agora enquanto escrevo, pode estar a sair daqui!
Não suporto a ideia.
Eu sei que supostamente isso aí é melhor. É mais bonito. É mais brilhante. É o céu... Mas nem imaginas o nó que me dá no coração pensar que não a verei mais.
É egoísta. Sim. Talvez.
Mas não consigo.
Por isso, podias mexer nos teus pozinhos de pi-ri-lim-pim-pim e dar-lhe uma mãozinha.
Ela está a precisar!
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