sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Às amigas

Nunca fui pessoas de ter amigos no feminino. Durante muitos anos era disso que se tratavam amigos no feminino. Havia um mix no nosso tratamento... uma confusão adjacente à minha própria condição e por isso, repelia as amigas, como se de um pequeno mosquito se tratasse. Porque amigos são muito mais fáceis de manter e são e sempre o foram uns queridos para mim e deixaram-me muito mal habituada.
Mas não pensem mal de mim. Eu tenho amigas. E das boas! Das de sempre e para sempre ( porque o sempre na amizade e sempre menos tempo que nos amores da paixão).
Estes últimos dias têm servido para celebrar as minhas amigas.

A T. que está mais tempo longe que perto, mas que mesmo longe, não perde o travo de quem sempre viveu a uma  rua de distância, de quem se sabe o número de telemóvel de cor porque se trocaram centenas de milhões de sms e biliões de yorn toking (e ligam-me lá qual a utilidade disso?! Agora nenhuma, mas na altura era um boom!!). Com quem se partilharam os primeiros amores e desamores... Com quem tudo se pode e tão pouco é preciso pôr em palavras... Nem os quilometros que separam Portugal da Suíça nos conseguem sossegar e arrefecer o calor da cumplicidade.
Ontem partilhamos uma quantas horas de sofrimento. Ela aventurou-se numa tatuagem giríssima e eu estive lá a vê-la sofrer e a fotografar tudo... Ai que no fim só nos abraçamos, com a certeza de que se há pessoa com quem podemos enfrentar o mundo é com aquela.
Hoje foi embora, regressou aos Alpes com o abraço que demora mais à partida do que à chegada. Nós que não somos de declarações de amizades inabaláveis, nem quando as hormonas aos saltos da adolescência o permitiam, despedimo-nos com um muito e sempre verdadeiro " Há coisas que não mudam e é bom ter-te aqui!". Este aqui já não é a rua de distancia, nem a cidade em que nascemos, este aqui é este lugar que encerra em si este misto de perto e longe, a que chamamos coração.  

Hoje a CC, sobre quem já escrevi centenas de vezes, faz anos. Fazer anos para ela é o equivalente a uma ano novo, é o (re)inaugurar da esperança, do ânimo e da vida (acrescento eu). Este tem sido um período de exigência e de persistência; de arriscar; de ser força em cada célula do organismo.
A CC sabe o quanto somos diferentes e o quanto a admiro. O quanto nos achávamos perfeitamente incompatíveis e o quanto crescemos ao tolerar e apoiar as diferenças de quem está ao nosso lado. E sim, hoje estamos lado a lado, mas há dias em que ela vai à frente e eu atrás; outros em que trocamos lugares, mas sempre seguras de que posso tropeçar ou desequilibrar, porque no chão nunca irei estar.
Os 25 anos são o desafio, sinto-os e tenho vivido como tal. Por isso, como hoje o mundo roda só para ti, eu só quero que percebas que independentemente de tudo e para lá de tudo o que nos separa, há algo que nunca nenhuma de nós conseguiu perceber... o que nos une é muito mais forte e mesmo que não compreendamos a razão, sabemos que existe. E isso chega! Parabéns chata!!!!

E eu que sempre me achei uma pessoa interdita a girls friends, percebo a grande mais valia de as ter. :)

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