Não me conhece, provavelmente nunca me conhecerá, nem é importante para o caso.
Eu acompanho o seu trabalho, desde há anos. Desde que ainda não sabia bem ler e lia os seus editoriais na Notícias Magazine, para treinar a leitura, para saber coisas diferentes, para perceber o mundo dos graúdos e dos miúdos que tantas e tantas vezes me escapava.
Se disser que graças a si sonhei ser jornalista, sonhei ser escritora, só para ter um pedacinho do dom para a escrita que tem. Não aumento nem um bocadinho. Não me tornei jornalista e dificilmente tornarei. Mas de qualquer das formas, isto de pouco importa.
Sabe, tão bem ou melhor que eu, porque parecendo que não tem mais experiência por estas bandas. A situação de Portugal não anda famosa. E como me poderá responder, isso não constitui só por si grande novidade, visto que volta e meia damos por nós, nesta ou numa outra situação em muito semelhantes. A novidade está mesmo na condição da "parva geração parva" que refere. A novidade somos nós. Jovens, com formação técnica e específica superior. Muitas vezes, superiores às qualificações das gerações que nos antecedem. O problema está nas centenas e centenas de milhar que não têm um vinculo de trabalho seguro. Não pedimos um emprego para a vida, para nós isso é uma utopia, ou algo que apenas conhecemos dos livros de história. Pedimos um contrato de trabalho. Pedimos a possibilidade de iniciar uma vida de pleno direito. Pedimos a oportunidade de trabalhar, de mostrar as nossas competências, de mostrar o nosso valor. Pedimos oportunidade de nos tornarmos cidadãos de pleno direito, de poder aspirar a sair de casa dos pais, de poder aspirar, sonhar com um futuro.
Não são todos os licenciados que recebem 80% acima da média nacional, o problema está na própria média que é aufere um rendimento baixíssimo. Mas isso, como diz a minha avó são contas de um outro rosário e daria pano para mangas.
E sim, pode contar connosco para dar a volta a isto. Posso discordar consigo em muitas coisas, mas neste ponto estamos de acordo. Não há ninguém melhor para a dar a volta a isto que nós mesmos.
* a propósito do editorial do jornal DESTAK de 17 de Fevereiro de 2011
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