domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vidas

No sítio onde eu moro, e onde sempre quis morar, e onde desesperadamente pedi aos meus pais para morar logo a seguir ao Natal cumpre-se uma tradição, com mais de cem anos, dizem os mais antigos. A população sai à rua para honrar o  Menino (o Jesus, entenda-se), logo a seguir aos Reis. E este ano com as eleições, os Cortejos estenderam-se até Fevereiro. Cada rua, lugar, associação, escola organiza-se e arranja música, dança, e um tema mais ou menos polémico para levar os outros a pensar. 
Os cortejos é festa fora de época. É festa popular sem terem um santo. É motivo, para mesmo com o frio festejar. E, tal como vocês sabem eu não resisto a uma boa festa. E em miúda obrigava os meus pais a fazerem 20km por noite para ir aos ensaios, para participar! Eu achava tudo fantástico! E ainda acho! Deixei de participar... Mas não consigo deixar de ver! Nem de participar indirectamente, arranjei indumentárias a militares de palmo e meio, penteei cabelos, pus em práticas os meus melhores dotes de maquilhadora... E ainda me armei ao pingarelho enquanto fotógrafa! Estou cansada, exausta! Mas gostei, tanto! 

Mas não foi por isso que escrevi. Eu decidi escrever porque encontram-se imensas pessoas, nestes dias. E às vezes com quem não estamos o resto do ano. E hoje foi o caso... Encontrei duas pessoas que não via há uns cinco ou seis anos. Elas eram minhas "amigas". E quando as vi fiquei em êxtase. 
Encontrei-me com a V. e ela deu-me o abraço, pelo qual sempre a conheci... Falamos e rimos, como quando tínhamos quinze anos. Mas quando me preparava para despedir, depois de trocarmos números de telefone, ela apresenta-me o seu filho mais velho. E eu penso "mais velho?! isso pressupõe a existência de um mais novo. certo?!" E parece que sim está certo! Ela está grávida novamente. Ela parece feliz, mas também me pareceu demasiado "adulta" demasiado desiludida com a vida, demasiado cinzenta! 

O que me deixou a pensar. É que ela tem 22 anos. Ela sabia o que queria. Ela era como eu. 
E agora, hoje olhei para nós e percebi que pouco é aquilo que nos une, ou melhor. Já nada nos une. Ela trabalha, tem um marido, dois filhos, uma família para sustentar. Ela tem responsabilidades. Ela é adulta. Eu estudo e tento entrar no mercado de trabalho. Eu não me considero adulta a 100%, perdoem-me! Eu sou uma miúda, com responsabilidades, mas miúda! E ela apesar de ter mais ou menos a mesma idade que eu não é como eu! 

Não me venham com moralismos depois. Que a Pocket é esta e aquela. Eu não digo que eu sou melhor do que ela, nem que as minhas escolhas foram mais ou menos acertadas que as dela. Eu só acho que um pequeno desvio na nossa vida faz toda a diferença! E hoje pensei nisso. E a V. deixou-me a pensar nisso. 

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